929 20/1/2015

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Driver: San Francisco

Voltou para ficar

Quem jogou o Playstation 1 provavelmente lembrará do Driver: You are the Wheelman e Driver 2: The Wheelman Is Back, produzidos pela Reflections Interactive. Pois é, não tem como não se recordar com saudades do test drive na garagem presente no Driver 1 ou da ponte de Chicago e do calçadão de Ipanema no Driver 2.

Com o Driver 2, que permitiu que o personagem principal, o policial disfarçado John Tanner, pudesse sair do carro, surgiu a popularização do gênero sandbox (jogos de mundo aberto) com visão em 3ª pessoa. O clima de filme policial dos anos 70, combinado com a mecânica de liberdade, gráficos em 3D, quatro cidades completamente exploráveis para a época (Chicago, Havana, Las Vegas e Rio de Janeiro), mais a alta velocidade em perseguições com uma história de conspirações de criminosos, fez de Driver uma façanha no cenário da indústria dos jogos e deu liderança absoluta à franquia nos já longínquos anos de 1999/2000.

Passada a 5ª geração dos videogames e com o surgimento da 6ª era, surge o Gran Theaft Auto III, que passou a usar a mesma mecânica em 3ª pessoa de mundo aberto, porém com mais liberdade de ações e principalmente diversidade nas missões, o que fez o jogo da Rockstar e “concorrente” do Driver cair nas graças dos jogadores do mundo todo. Essa fórmula de sucesso continuou no GTA Vice City e aumentou ainda mais o prestígio da franquia.

O resultado não poderia ser pior: vendo o sucesso da concorrência, a Reflections, na época sob a direção da Atari, buscou alterar a fórmula do percussor do mundo aberto da forma que conhecemos hoje, visto que surgiu o pensamento de que o Driver, se fosse produzido com a mesma fórmula dos dois primeiros jogos, não satisfaria mais os jogadores. Surge então o Driv3r, que se valia mais de missões fora dos veículos e com tiroteios, deixando de lado o foco na condução de veículos. Conclusão: Driver virou apenas uma sombra do GTA.

Eis que surge a Ubisoft e compra a Reflections e consequentemente o Driver, anunciando um novo jogo e a retomada à essência da série. Dito e feito, e com muita originalidade, nasce o Driver: San Francisco para a 7ª geração, nas plataformas Playstation 3, Xbox 360 e Microsoft Windows. Também foi produzido para Nintendo Wii, mas com uma história e mecânica de jogo completamente diferentes.

Apresentação

A história se passa meses depois do final de Driv3r. Neste jogo anterior, o antigo policial disfarçado a fim de capturar o criminoso Pink Lenny agora é agente do FBI, e após perseguir Charles Jericho, o principal vilão da série, consegue alcançá-lo e derrubá-lo, porém decide não executá-lo e acaba dando oportunidade para Jericho atirar em suas costas. Passado este tempo, o jogo começa revelando que Tanner sobreviveu, e ao lado do seu parceiro, Tobias Jones, assiste tranquilamente a cobertura da transferência para o Presídio Estadual do seu inimigo e agora preso, Jericho, que se refugiou em San Francisco e foi capturado. Mas o ato não se concretiza, pois a fuga de Jericho já estava planejada. Com um frasco de ácido dado por um dos agentes penitenciários, o criminoso desfaz-se das algemas e toma o controle do veículo policial.

Novamente John Tanner e Tobias Jones precisam entrar em ação para parar o criminoso, mas no decorrer da fuga ambos são encurralados por Jericho e ocorre um acidente grave, onde Tanner fica entre a vida e a morte em estado de coma. Isso mesmo: o jogo se passa na realidade paralela que o personagem principal cria ao entrar em coma. Sendo assim, tudo o que Tanner sabe dos planos de Jericho é pelo o que escuta do seu parceiro Tobias, que acompanha a sua recuperação no hospital, e principalmente pelas notícias da televisão do quarto. Por meio destas duas fontes que o protagonista tenta encaixar as peças e descobrir o que o criminoso está planejando desta vez.

O jogo, embora o fato da história se passar na imaginação de Tanner possa decepcionar muito quem tem interesse em jogá-lo, retoma a grandeza dos dois primeiros títulos. Sim, a ideia de viver os pensamentos de outra pessoa não parece ser muito atrativa e até pode ser desapontador para quem procura se inteirar sobre o jogo antes de comprá-lo, mas a sua mecânica divertida e diferente dos demais jogos da série, além do desenrolar criativo da história, foram surpresas muito agradáveis. Mas, sem querer desapontar ninguém fornecendo spoilers: embora haja criatividade e humor no enredo, a finalização da história é um tanto quanto forçada.

A Ubisoft Reflections propôs um novo estilo de diversão para série, diferente do que foi visto nos jogos anteriores, porém cumpriu o papel de divertir e mesmo assim conseguiu trazer novamente a essência da série.

Gráficos/Som

Os gráficos são bonitos e retratam muito bem a cidade de San Francisco, trazendo todos os seus pontos turísticos famosos. Também houve muito cuidado na criação dos carros, com uma modelagem que beira a perfeição ao apresentar riqueza de detalhes, e nas danificações na lataria dos veículos quando ocorrem colisões. Outro detalhe que surpreende é a visão em primeira pessoa, ou seja, de dentro do carro, a qual apresenta uma qualidade gráfica e realismo nos movimentos de Tanner que ainda não presenciei nos demais jogos do gênero.

A trilha sonora agrada muito, trazendo o clima de filme policial dos anos 70, como o tema do Driver 1 refeito e presente no jogo. Além disso, dentro dos carros há aproximadamente 80 músicas disponíveis para todos os gostos, com a presença de grupos como The Cure, Beastie Boys e Queens of the Stone Age. A boa seleção musical e os diálogos inteligentes e recheados de bom humor formam uma característica interessante para uma possível sequência de Driver.

Gameplay

A jogabilidade assemelha-se a de um simulador de condução de carros. A produtora chamada agora de Ubisoft Reflections buscou a realidade ao volante e conseguiu superar muitos jogos voltados exclusivamente às corridas. As forças centrípeta (Força que puxa o veículo para o centro da pista) e centrífuga (Força que empurra o veículo para fora da pista), por exemplo, estão presentes na hora de uma conversão em uma curva de forma equivalente ao que ocorre na direção de um carro, e esta verossimilhança funciona de forma muito divertida no jogo. Para melhorar mais ainda para os aficionados por carros, o jogo conta com mais de 170 carros, dos quais 125 são licenciados!. Dentre os carros reais presentes no jogo estão os de marcas como: Alfa Romeo, Chevrolet, Lamborghini, Dodge, DeLorean, Volkswagen e Ford.

Mas ainda falta citar o ponto principal da jogabilidade: O Shift. Tanner, logo após o caminhão chocar-se na lateral do seu Dodge Challenger RT - 1970, e ao entrar em coma, cria uma realidade paralela onde tudo parece estar na maior normalidade. Porém, ele descobre que pode sair de seu corpo e ter uma visão aérea da cidade, podendo escolher entrar na pele de qualquer outro motorista que circula nas ruas da San Francisco. Para melhorar, toda esta situação vai acontecendo com uma boa pitada de humor. Sendo assim, durante as missões do jogo, a mecânica do Shift ajuda Tanner à capturar um fugitivo ao pegar um carro na contramão e colidir de frente com o ele, obter informações do paradeiro de Charles Jericho quando entra no corpo de algum de seus comparsas ou até para atrapalhar os adversários a fim de conquistar a vitória numa corrida. Muito estranho? Pode ser, porém, essa inovação implementada é muito simples de ser executada e dá uma diversão extra com um toque de originalidade ao jogo.

Aliás, as missões do jogo são divididas em principais, que consistem na tentativa de Tanner e Tobias para descobrir os planos de Jericho e começam quando voltamos para o corpo de Tanner, o qual está no “modo automático” conduzindo pela cidade no seu carro com Tobias secundárias, que vão de rachas pela cidade, ajuda a civis ou policiais nos seus objetivos ou até trabalho de filmagem para uma emissora de televisão, e desafios, como derrapar com o carro por 10 segundos, andar na contramão à mais de 120 km/h por 60 segundos ou saltar numa rampa para atingir determinada altura. Estas missões concedem créditos ao jogador (WP points), que pode utilizá-los adquirindo, por exemplo, garagens que desbloqueiam carros novos para compra, melhorias na capacidade de turbo e impulsão (que causa mais danos aos carros atingidos) e desafios com pontuação online. No avançar da história, a mecânica do Shift vai se aperfeiçoando e vão sendo liberadas mais áreas da cidade de São Francisco. A inteligência artificial do jogo satisfaz muito bem, com um destaque à dificuldade de escapar das viaturas policiais quando perseguido, mesmo utilizando o recurso do Shift, pois os carros surgem de todas as direções na tentativa de parar Tanner, ressurgindo assim a adrenalina de tentar despistar os policiais presente nos primeiros jogos da série, e a condução inteligente dos veículos por parte dos oponentes de uma corrida, que desviam de obstáculos e veículos que estão no caminho, dificultando a tentativa de pará-los pegando um carro na contra-mão para ocasionar a colisão frontal. Os pontos negativos na campanha são a facilidade de grande parte das missões, diferentemente dos dois primeiros jogos da série, e o pouco tempo de duração da história principal, que dura algo em torno de 5 horas se jogadas apenas as missões principais (Obs: é pré-requisito de algumas atividades principais que se jogue pelo menos uma ou duas missões secundárias). Se o nível baixo de dificuldade se tornar um incômodo, é possível concluir parte das missões sem o recurso Shift. O multiplayer agrada muito pela sua diversidade, tanto o seu slipt-screen (tela dividida) quanto entre jogadores online. Há oito modos de jogo, como, por exemplo, uma corrida tradicional e a captura da bandeira, o que garante mais tempo de jogo àquele que já terminou a campanha principal. Porém, o problema é a demora para localizar adversários no modo multiplayer.

Veredito

O Driver: San Francisco foi uma ótima surpresa e faz a franquia ressurgir como um grande nome novamente. A Reflections, junto com a Ubisoft, foi capaz de recolocar o Driver de volta ao seu caminho e recuperar um pouco dos anos perdidos após o Driver 2. O jogo diverte bastante e tem uma grande variedade de missões. A existência do Shift, por mais que a ideia pareça estranha, é diferente e é capaz de surpreender os mais desconfiados. Sendo assim, o jogo é uma ótima opção para os fãs de jogos de carros por ser mais completo do que a maioria dos jogos do gênero de corrida, pois há uma grande variedade de atividades a serem feitas, e principalmente por trazer um enorme número de carros reais e retratados com perfeição. O jogo cumpre com o seu objetivo, o qual retornou a ser a contextualização de uma cidade combinada com o foco na direção de veículos. E se a série voltará a figurar entre os melhores jogos do gênero? Não sabemos. Mas o importante é que o famoso percursor do mundo aberto voltou a ter uma identidade e assim adquiriu potencial para retomar o seu posto.

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8.7

O Driver: San Francisco foi uma ótima surpresa e ressurge como um grande nome novamente. A Reflections, junto com a Ubisoft, foi capaz de recolocar a franquia de volta ao seu caminho e recuperar um pouco dos anos perdidos após o Driver 2. O jogo diverte bastante e tem uma grande variedade de missões, porém, a maior parte destas são atividades secundárias e o nível de dificuldade é baixo.
  • + Variedade de missões
  • + Excelente jogabilidade
  • + 125 carros licenciados
  • - Pouca duração das missões principais
  • - Demora para a localização de salas para jogos online
  • - Baixa dificuldade