436 20/1/2015

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Grand Theft Auto IV

Liberty City: Um belo nome para uma bela cidade

Vamos parar um pouco para pensar na Rockstar: alguém se atreveria a dizer que se trata de um estúdio pouco confiável, inábil na produção de bons jogos? Existe algum jogador que não fique no mínimo curioso a respeito dos novos lançamentos da companhia, mesmo aqueles que não se interessam, são mais céticos ou não gostam muito do estilo que ela produz? Pouco provável. Todos os jogadores de videogames e críticos da área sabem reconhecer: Rockstar, desde 1998, vem nos impressionando com seus projetos e seu desenvolvimento, cada vez mais ambiciosos, na medida em que avançam também as gerações dos videogames.

A série Grand Theft Auto, iniciada nos anos noventa, na gênese mesmo da produtora, nunca deixou a desejar. Mesmo em seu início, com gráficos até ruins para a época, o jogo ainda assim trazia uma diversão iminente, com diálogos engraçados, missões consistentes, e cenários bem trabalhados. O avanço da série só trouxe melhoras, na medida em que recursos aumentaram, e a experiência lapidou as produções. É o que vemos em GTA IV.

Apresentação

O jogo nos coloca na pele de Niko Bellic, veterano de uma guerra acontecida na Europa Oriental, que muda-se para Liberty City, nos Estados Unidos, em busca do sonho americano, seguindo a promessa de seu primo, Roman Bellic, de riquezas, drogas e mulheres e fugindo de um contexto de pobreza e terror de seu país. O que Niko encontra, no entanto, não era bem o que esperava, mas isso não o impede de tentar construir uma vida digna das promessas do primo. Assim, ele acaba se envolvendo num mundo de gangues, crimes e corrupção.

Não diria que GTA IV tem o melhor enredo de todos, mas ele é de interesse por um motivo especial: o que se vê nele é um realidade rotineira, concreta, um retrato do nosso próprio mundo. Ora, quantas vezes já ficamos sabendo, ou mesmo estudamos sobre imigração de países pobres para países ricos na busca de uma vida melhor, e por fim, acabam numa grande decepção, e as vezes se voltam para o crime para sobreviver? É uma realidade social bem demonstrada no jogo, que certamente impressiona em alguns momentos aqueles que se interessam pela temática. Mais ainda: GTA IV não traz uma história clichê, ou previsível. O enredo surpreende, o inesperado acontece, e as vezes o jogo te dá a liberdade de escolher o que fazer em determinadas missões e arcar com as consequências. Tampouco, GTA IV não apresenta personagens ordinários e sem motivações. Vamos conhecendo Niko Bellic, e vamos compreendendo sua personalidade aos poucos: os efeitos da guerra, da pobreza, ambições... Sim, a história se foca muito nele, mas outros personagens, que Niko vem a conhecer ao longo do enredo, também tem peculiaridades marcantes, como Little Jacob, um traficante jamaicano e vendedor de armas, com seu forte sotaque e um uso excessivo de maconha, ou Brucie Kibbutz, amante de exercícios físicos, carros e mulheres, com uma personalidade extremamente narcisista. Não direi de todos os personagens, mas cada um apresenta um elemento único, e muitas vezes são cômicos e ao mesmo tempo trazem um elemento de seriedade ao jogo.

Vou ser sincero a respeito da minha sensação a respeito de jogos como GTA, para tentar ilustrar um pouco sobre o quão bom é seu enredo. Não sou um grande fã desse estilo que envolvem gangues, crimes, roubo de carros, etc... mas GTA IV soube arquitetar muito bem estes elementos para entreter mesmo aqueles que não se sentem muito próximos à esse tipo de jogo.

Jogabilidade

Acho que antes de tudo, devo dizer que GTA IV traz uma enorme gama de possibilidades. Assim como era comum nos antigos GTA's, o jogador pode ignorar a campanha principal, ou mesmo as sidequests, para simplesmente explorar a cidade, provocar a polícia, provocar outros cidadãos da cidade, enfim, se divertir da maneira que quiser. É um mundo aberto, muito aberto, com a liberdade que o jogador deseja para um jogo como GTA IV. O nome da cidade não poderia ser mais apropriado. E o que torna a franquia famosa não poderia ficar de fora: o roubo e a direção de carros, que ainda é uma experiência extremamente feliz, principalmente na escuta das empolgantes estações de rádio que o jogo apresenta (que falaremos na trilha sonora). Não só isso, andar de barco, de helicóptero, outros meios de transporte, é possível, e é divertido. Bom, e para aqueles que querem seguir a campanha, o que fortemente recomendo, ainda terão pelo menos trinta horas de diversão, isso se for rápido. Cá entre nós, jogos desse tamanho tornam-se cada vez mais raros e escassos. As missões são emocionantes, vibrantes e variadas, e com elas o enredo se desenrola de maneira fluida e natural.

E GTA IV sabe bem introduzir o jogador em seu universo, começando com missões simples, quase introdutórias, evoluindo para verdadeiros desafios. Citarei uma, em especial, sem dar spoillers: um assalto a banco, que várias vezes quis refazê-la pelo nível de complexidade que ela traz. Isso sem contar as sidequests, que tornam a cidade mais viva, de fato, como por exemplo, sair com um amigo que te liga na busca de diversão, e com várias escolhas para isso, ou estes mesmos amigos pedindo favores à você, ou o contrário. O problema dessas sidequests é que, muitas vezes, elas vem em horas inoportunas. Imagine, no meio de um assalto ao banco, você receber uma ligação com seu primo dizendo "Niko, vamos jogar boliche?", e recusar significa perder um pouco de sua amizade. O fato de elas acontecerem aleatoriamente não é um problema, mas recusá-las por causa de momentos críticos lhe prejudicar, isso é injusto. Não é algo que prejudique muito o jogo, mas não posso deixar de colocar minha insatisfação com o fato. Além disso, o dinheiro ganho não serve apenas como um ponto para tornar o mundo mais realista. Ele pode ser realmente usado para, por exemplo, comprar roupas, se alimentar, comprar armas (claro, o principal). GTA IV, em sua jogabilidade, te faz se sentir parte da cidade. Logo você terá autonomia ao explorá-la, terá seus locais favoritos, achará alguns familiares na medida em que ele se desenvolve. Um detalhe que surpreende realmente é o sistema de cobertura. Primeiro que tomar cobertura é essencial no jogo, e o mais impressionante é que tudo pode ser usado como cobertura. A dinâmica na jogabilidade, então, toma um ar muito mais excitante.

Outro ponto que decepciona são minigames (que, salvo engano, são todos opcionais) oferecidos. Infelizmente, por serem entediantes, nos recusamos a jogá-los, e a gama de possibilidades que o jogo tem como premissa diminui um pouco. Vamos dar um exemplo: quando você sai com um amigo em GTA IV, ou mesmo com uma garota com quem você está iniciando um relacionamento, geralmente você evita jogar sinuca ou boliche e vai para um restaurante, porque jogar boliche ou sinuca é demasiado chato e monótono.

Por fim, o multiplayer. Posso dizer que para essa geração, GTA IV tem um dos melhores multiplayers que existe. Imagine só? Um jogo com várias pessoas envolvendo a vasta Liberty City? Algo demasiado ousado da Rockstar, e muito certeiro. Disso temos roubos de carros, competições de gangues, missões conjuntas... É uma diversão que lhe manterá jogando por tempo ilimitado.

Gráficos e Som

Niko Bellic é o protagonista de GTA IV, certamente, mas a verdadeira estrela é a Liberty City. Ela é fantástica. Liberty City é a paródia de Nova York, e teremos a visão de vários monumentos marcantes, modificados à sua maneira, tais como a Estátua da Liberdade, o Empire State, a Ponte de Brooklyn, ou mesmo lugares como a Time Square... E a arquitetura da cidade é magnífica. De dia ela é bela, interessante, com muitas pessoas nas ruas e calçadas, carros... mas de noite, é espantoso, principalmente quando podemos vê-la de helicóptero. Só este ponto já valeria a compra do jogo. Como já apontei na jogabilidade, explorar Liberty City já é um entretenimento satisfatório. A produção foi artística, estupenda, e é inegável o bom trabalho que a equipe Rockstar teve.

A trilha sonora de GTA IV também conta com músicos de peso, e isso serve ainda mais para trazer elementos para a realidade. Dentre os que participam da trilha sonora, estão as bandas The Smashing Pumpkins, Black Sabbah, The Who, R.E.M, The Doors, Alice Cooper... Citar todos traria um análise apenas de lista, mas acho que estes nomes já servem para colocar um ponto no que quero dizer. As dublagens dos personagens também tem excelência, e o sotaque ajuda a criar uma caracterização especial aos personagens, em especial o jamaicano Little Jacob. E os efeitos sonoros não deixam a desejar. Caminhando nas ruas, escutamos fragmentos de conversas, xingamentos, carros acelerando e desacelerando, a água do mar... As batidas dos carros são realistas, assim como os tiros, os gritos. GTA IV traz um trabalho magistral em relação aos gráficos e som.

Veredito

GTA IV certamente marcou o mundo dos jogos. Melhor jogo desta geração? Muitos diriam que sim, e eu hesitaria em não concordar com esta opinião. A complexidade que ele traz é espantosa, em todos os seus aspectos. Gostando ou não gostando do jogo, ninguém pode dizer que não se trata de uma grande produção. Um 10 não parece improvável para este título, mas pontos como a inconveniência de algumas sidequests e minigames chatos impediu seu máximo potencial. Ainda assim, GTA IV será dificilmente esquecido nesta geração e nas próximas que estão por vir. Sempre o teremos como referência para bons jogos.

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9.7

A série Grand Theft Auto, iniciada nos anos noventa, na gênese mesmo da produtora, nunca deixou a desejar.
  • + Ótimo enredo
  • + Cenários extremamente bem trabalhados
  • + Estupendo multiplayer
  • - Minigames chatos e entediantes
  • - Sidequests inoportunas