407 20/1/2015

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Heavy Rain

O fim é apenas o começo

Se voltarmos um pouco no tempo - mais precisamente em 2005 - chegaremos ao promissor Fahrenheit, conhecido na América do Norte e Brasil como Indigo Prophecy. Cinco anos após seu lançamento, a Quantic Dream almejava desbancar seu antecessor com Heavy Rain, uma tentativa de inovar através de uma fórmula já utilizada. Indigo Prophecy tinha como principal atração seu roteiro atrativo e bem elaborado, contando com sequências em quick time events, onde o jogador decidia o destino dos personagens. Em 2010 fomos apresentados a seu sucessor, que partia dos mesmos princípios em um roteiro igualmente interessante, mostrando que a desenvolvedora não havia perdido sua criatividade e o desejo por tramas complexas (desde seu início, com o curioso Omikron: The Normad Soul ainda em 1999). Com ótimos lançamentos como Bioshock 2, Alan Wake, Halo Reach e Red Dead Redemption, 2010 foi um bom ano para os jogos. Heavy Rain assumiu então a difícil missão de trazer algo realmente notável ao mercado entre muitas outras opções de qualidade.

Apresentação

Dirigido pelo próprio fundador da Quantic Dream, Heavy Rain estreou envolto de polêmicas e opiniões variadas. De um lado temos os entusiastas que acreditavam em um jogo revolucionário e disposto a ocupar sua parte. Do outro, aqueles que enxergavam a complexidade de se obter sucesso com tantos jogos bons sendo lançados ao mesmo tempo. A história - um thriller dramático ao melhor estilo noir - gira em torno de quatro protagonistas com histórias paralelas que se cruzam ao decorrer da trama:

  • Ethan Mars - Um pai em busca de seu filho desaparecido;
  • Madison Paige - Uma jornalista que sofre de insônia;
  • Norman Jayden - Um agente do FBI dependente de uma alta tecnologia experimental;
  • Scott Shelby - Um detetive aposentado que sofre de asma;

Cada um dos personagens possui seu propósito e drama pessoal - com destaque a Ethan, dono da melhor história. No centro disso temos um serial killer conhecido como Assassino do Origami, que aproveita os períodos de chuva pesada (daí o nome do jogo) para afogar suas vítimas. Todos os personagens, de certa forma, estão conectados ao assassino, e cabe ao jogador descobrir o que está acontecendo. Aparentemente uma história já batida e com um início fraco, mas que acaba tornando-se um espiral de surpresas ao descobrirmos as motivações de cada protagonista. Recheada de superação, senso de justiça e mistério, a história se desenrola sem medo de tragédias e capricha em momentos de teor sentimental, emocionando - ou, ao menos, fazendo refletir - até o jogador mais durão. Este é um jogo que merece uma chance de ser analisado e descoberto. É um diamante que precisa ser lapidado a ponto de nos apresentar sua verdadeira intenção: uma narrativa bem arquitetada, cheia de oportunidades. O clichê se transforma em um drama metafórico, cheio de significados (utilizando a simbologia do origami), mostrando mais um acerto da Quantic Dream após as novidades lançadas em Indigo Prophecy.

Gráficos e Som

Assim que o jogo se inicia, somos apresentados a um cenário sem muitos detalhes soberbos, mas com uma iluminação competente que se estende por todo o jogo. Um ponto positivo a ser mencionado é a brilhante forma como os cenários, através da iluminação, transmitem o sentimento de cada personagem em determinada situação. A transição do dia ensolarado com paisagens alegres para a chuva que cai em um cinzento temporaltransfere ao jogador toda uma gama de emoções, como tristeza, ansiedade e medo, do protagonista.

O nível de detalhamento depende de cada local ou situação. Os efeitos de água são muito bem representados, mas este acerto não é algo que acontece a todo momento. Infelizmente isto se aplica aos rostos dos personagens, que são extremamente detalhados nas telas de carregamento, mas falta capricho durante o gameplay, exceto pelo rosto de Madison Paige. Levando em consideração sua época de lançamento, torna-se algo aceitável mas ao mesmo tempo frustrante pela proposta do jogo em se aproximar da ideologia de um filme.

O som, por sua vez, cumpre bem seu papel. Chuva, carros, passos... tudo é harmonicamente orquestrado em acompanhamento da emotiva trilha sonora - principalmente na abertura. A dublagem é igualmente competente e convence através de diálogos inteligentes e ótimas interpretações, nos fazendo acreditar que vemos atores em cena em determinados momentos. 

Gameplay

Ao começar a jogar Heavy Rain, sentimos uma leve decepção e até mesmo um estranhamento em sua jogabilidade. Enquanto os quick time events empolgam e se encaixam bem na trama, a movimentação dos personagens é travada e até meio robótica, dando uma sensação de instabilidade durante o jogo. Tudo parece muito artificial e aquela magia cinematográfica some no instante em que damos o primeiro passo com Ethan Mars. Pode parecer que isso estraga sua diversão, mas não é o que acontece. O jogador se acostuma aos movimentos após presenciar eventos interessantes e reviravoltas inesperadas do roteiro. De uma forma geral, a jogabilidade consegue agradar, e realmente imergirmos na trama. Com uma história de tamanha qualidade, isso não é difícil.

É aí que volta a magia cinematográfica. Com o andar da carruagem percebemos a sensibilidade da história e a forma como a mesma é contada. O jogador se envolve com os personagens e - por que não? - se identifica com eles. Aqui, Heavy Rain mostra a que veio e consegue provar sua capacidade de superar Indigo Prophecy com uma trama ainda mais elaborada e complexa, digna de produções hollywoodianas.

Através de interações com o cenário e diálogos bem trabalhados, o jogo se mostra extremamente competente em seu papel de suspense psicológico, onde até mesmo as opções de escolha transmitem o sentimento perturbado do personagem naquele momento. E a liberdade de escolha é um dos pontos altos do jogo, permitindo que cada decisão possa ser tomada em situações pré-estabelecidas e, assim, construindo um novo roteiro e a possibilidade de diferentes enraizamentos e desfechos. Cada opção nos leva a ramificações de acontecimentos, que podem ser ações cotidianas como lavar a louça ou até mesmo testes de moralidade para o protagonista. Em um certo ponto, por exemplo, devemos decidir se atiramos em um homem ou o deixamos viver. Sendo que, o homem em questão é um pai de família que te ataca em legítima defesa. Mas isso também depende da forma que o diálogo se constrói a partir do leque de possibilidades que surgem a cada resposta escolhida, o que nos passa a falsa (e boa) sensação de livre arbítrio. Então esqueça a chance de ver um Game Over, isso não existe aqui. Se algum protagonista morrer (sim, isso pode acontecer!), o jogo segue adiante sem ele. Isso cria um ótimo fator replay, o que nos dá vontade de jogar várias e várias vezes com a intenção de tomar decisões que não tomamos anteriormente para obter finais distintos. Ainda que seja uma liberdade moldada dentro de um padrão estabelecido pelo jogo, não deixa de ser algo divertido quando posto em prática, o que se torna ainda mais interessante com a compatibilidade com o PS Move. Essa compatibilidade, por sua vez, torna a movimentação mais ágil e atraente.

Veredito

Mesmo pecando na parte gráfica e com uma jogabilidade instável - ao menos no controle -, o intrigante roteiro em união com a trilha sonora impecável consegue fazer de Heavy Rain um jogo obrigatório para quem gosta do gênero. Mas devido à sua jogabilidade baseado em quick time events, quem prefere algo mais eletrizante pode se sentir incomodado com a grande quantidade de diálogos e momentos de raciocínio, o que atrai um grupo muito específico de jogadores. Com mais altos do que baixos, este é um jogo que cumpre seu objetivo de forma brilhante. Em uma época difícil de se destacar entre outros excelentes lançamentos, Heavy Rain tornou o mundo do jogos uma tela de cinema, mais pelo suspense narrado de forma natural do que pela aparência de film noir.

Com o lançamento de Beyond: Two Souls se aproximando cada vez mais, Heavy Rain é uma boa pedida como preparação do terreno. Com uma história coesa e emocionante, podemos tomá-lo como o diferencial que faltava nesta geração - mostrando ser não apenas um excelente aprendiz de Indigo Prophecy, mas um legítimo jogo que anda com as próprias pernas e foge de comparações.

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9.2

Mesmo pecando na parte gráfica e com uma jogabilidade instável, o intrigante roteiro em união com a trilha sonora impecável consegue fazer de Heavy Rain um game obrigatório para quem gosta do gênero.
  • + Excelente trilha sonora
  • + Roteiro inteligente e cheio de reviravoltas
  • + Quick time events empolgam
  • - Gráficos não convencem totalmente
  • - Jogabilidade nem sempre é eficaz

Informações do Jogo