1003 20/1/2015

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The Last of Us

A não ser que você esteja morando em uma caverna nos últimos anos, já deve estar mais ou menos ciente do hype que The Last of Us vinha provocando, antes mesmo de ser lançado. Desde que nos foi apresentado pela primeira vez, ainda como teaser, no Spike Video Game Awards de 2011, o game exclusivo para Playstation 3 estava entre os mais antecipados deste ano. O projeto vinha sendo produzido pela americana Naughty Dog ao mesmo tempo que Uncharted 3, por metade da equipe que havia cuidado dos games anteriores da série. O aparente enfoque na sobrevivência e numa trama madura aglutinada em um visual digno de cinema, colocou boa parte da mídia especializada, e é claro, dos fãs da empresa, em estado de alerta, ansiosos para confirmar se todas as expectativas se cumpririam ou se o jogo, como muitos, estava prometendo mais do que conseguiria oferecer.

Felizmente, The Last of Us está aqui para provar que, às vezes, algumas coisas conseguem superar até mesmo nossas expectativas mais positivas.

Apresentação

O jogo se passa em 2033, vinte anos após uma epidemia ter matado ou infectado o que se estima em cerca de sessenta por cento da humanidade. Os poderes formalmente constituídos se dissolveram na maior parte das cidades, mantidas apenas por pequenas zonas de quarentena de formação militar, onde cartões de provisões de suprimentos tornaram-se moeda de troca e contrabando.

Em meio à escassez de recursos, surgem gangues e milícias com bandeiras e crenças próprias, das quais se destacam os Vaga-lumes (Fireflies, no original), de fortes valores e tendências ao “terrorismo”. Joel, o protagonista, é um implacável sobrevivente que ganha a vida contrabandeando recursos para sobreviventes do lado de fora da zona de quarentena. A pedido de Marlene, líder dos Vaga-lumes, ele receberá o mais inesperado dos contrabandos: Ellie, uma menina de 14 anos que supostamente é imune aos efeitos da epidemia e pode ser a chave para a cura. Apesar dos fracassos anteriores, os Vaga-lumes não deixaram de ter esperanças e mantêm laboratórios do lado de fora da cidade, onde ainda acreditam poder criar uma vacina. Caberá à dupla Joel e Ellie sobreviver aos perigos que o longo caminho providenciará.

The Last of Us é provavelmente um dos mais bem-sucedidos exemplos de como criar uma trama simples e ao mesmo tempo profunda com maestria. "Simples" porque os motes que movem a história estão entre os mais básicos para a compreensão humana: sobrevivência, confiança, aceitação. Eles, no entanto, jamais se degeneram em sentimentalismo barato ou parecem fora do lugar. The Last of Us brilha em sua narrativa forte e adulta, e instiga o jogador a querer mais, a entender mais de seus personagens sólidos e bem construídos, a ver até que ponto os laços que unem duas pessoas podem ser suficientemente resistentes contra os perigos que vêm de fora, e de dentro.

Jogabilidade

A trama excelente é apenas uma ponta do iceberg, entretanto. Dentre os maiores pontos positivos de The Last of Us está o próprio gameplay, que provocará um ligeiro dejà vu aos jogadores de Uncharted. Impressiona como os momentos de tensão e relaxamento foram bem posicionados no roteiro, oferecendo uma mistura que fará o jogador ficar por cinco, seis, sete horas em frente ao videogame, sem sentir. Ou melhor: vai sentir, sim, pois o apelo às emoções intensas é outro dos pontos fortes do jogo.

Os “vilões” mais perigosos são os Estaladores (Clickers), infectados pela doença que consome o cérebro e enlouquece a vítima. Em seu estado mais avançado, são cegos, mas possuem audição apurada e matam quase instantaneamente. Caberá ao jogador decidir que tipo de estratégia tomar quando diante de inimigos, se abusará do stealth ou partirá para o combate direto. Vale, no entanto, dizer que os recursos são limitados e que ao longo do jogo você fatalmente sentirá que é realmente um sobrevivente por chegar tão longe, sendo obrigado a se decidir entre se expor a um ataque concentrado ou gastar munição.

O cenário se encaixa bem e oferece estratégias variadas e criativas. Existem bugs menores e alguns pequenos problemas, como quando se quer passar por um corredor estreito e um aliado o bloqueia com o corpo. Mas isso geralmente é corrigido em segundos e não causa dores de cabeça.

Vale ainda a pena falar do modo multiplayer: divertido e rápido, ele estimula o retorno e vicia, no melhor sentido da palavra. Para começar, o jogador deverá escolher se deseja se filiar aos Caçadores (Hunters), uma gangue violenta de sobreviventes, ou aos Vaga-lumes, e então começará uma campanha competitiva e cooperativa por suprimentos e novos integrantes. No começo é relativamente fácil conseguir fazer seu "clã" crescer, mas conforme se ganha novos membros, o jogo vai ficando mais difícil, pois isso exigirá mais recursos e, logo, mais vitórias. É possível customizar o personagem e novos itens e armas vão sendo liberados, o que aumenta o fator replay por muitas semanas depois de se zerar a campanha principal.

Gráficos e Som

Os visuais estão entre os mais belos e bem acabados dos games desta geração. Todo o cenário se completa de maneira rica e inteligente, de modo que você sempre vai achar as coisas onde, no mundo real, elas possivelmente deveriam estar. Nada de encontrar kits de primeiro socorros dentro da geladeira ou algo assim.

A sonoplastia também dá um show à parte, mas é a trilha sonora, emocionante, tensa e até mesmo opressora nas horas certas que dá o tom da história, com destaque para a música tema, composta por Gustavo Santaolalla.

A localização para o português brasileiro sofre um pouco, porém. As legendas, em especial, demonstram vários problemas de sincronização e, mais frequentemente, de tradução equivocada. Tais problema parecem não ter a ver com a competência do estúdio de tradução, mas principalmente com as condições que o trabalho foi oferecido, dando a impressão de pressa. Aparentemente, trata-se de um impasse que muitas vezes se dá quando a equipe de tradução não tem acesso ao vídeo original e precisa ficar “adivinhando” o que está acontecendo na cena.

A dublagem para o português, por sua vez, é bastante eficiente mas possui altos e baixos de interpretação, o que não significa que seja ruim. Os atores em inglês, entretanto, foram dirigidos diretamente pelos produtores e acompanharam o processo de criação do jogo por meses, de modo que tiveram mais chances de “dar vida” aos personagens. Troy Baker (que, além de Joel, tem no currículo personagens como Booker DeWitt de Bioshock Infinite e Snow Villiers de Final Fantasy XIII) e Ashley Johnson (que faz Ellie, e está em diversos papéis para TV e cinema), em especial, são um verdadeiro espetáculo para os ouvidos, em interpretações impecáveis. O famoso Nolan North (o Nathan Drake de Uncharted) também faz uma ponta bastante marcante.

Não que a dublagem para o português incomode. Se você não está com o inglês afiado, vá em frente e curta esta que deve ser uma das melhores dublagens de jogos para o português até aqui. A carga emocional do original, porém, é inegavelmente mais intensa e oferece uma experiência mais próxima daquilo que os produtores da Naughty Dog tinham em mente.

Veredito

Praticamente fechando a sétima geração de consoles, The Last of Us é um dos mais imersivos e ambiciosos games já produzidos, e um concorrente forte ao Game of the Year de 2013. Um clássico instantâneo que mostra que jogos podem, sim, evocar os sentimentos intensos de uma obra de arte. Para quem tem PS3, este é um título obrigatório na coleção. Ponto para a Naughty Dog e, principalmente, para nós.

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10

Praticamente fechando a sétima geração de consoles, The Last of Us é um dos mais imersivos e ambiciosos games já produzidos, e um concorrente forte ao Game of the Year de 2013.
  • + História emocionante e personagens realistas
  • + Visual imersivo
  • + Efeitos sonoros arrepiantes e trilha sonora excelente
  • - A localização para o português brasileiro poderia ter sido um pouquinho mais caprichada