1637 20/1/2015

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A Diferença entre Indie e AAA

Vivemos em um mundo exigente. As situações do cotidiano exigem cada vez mais de nós, seja nos estudos ou no campo profissional e vivemos em um limite das nossas capacidades. Vamos nos desgastando e estressando aos poucos e maneiras de aliviar estes problemas começam a se tornar uma necessidade. Nos encontramos no país do futebol, onde a massiva maioria tem no esporte sua forma de descontração, mas outros têm seu momento pessoal de descanso na música ou no cinema. E outros, assim como nós, nos games.

Tão grande quanto as outras formas de entretenimento, a indústria dos games alcança números enormes em sua movimentação financeira, que chega aos bilhões de dólares todo ano. Milhares de pessoas são empregadas ao redor do mundo, diretamente (em sua criação) ou indiretamente (em sua produção ou distribuição) e, a cada ano, o número de jogos produzidos aumenta, acompanhado pelo aumento do jogadores interessados nesta forma de entretenimento.

No inicio dos jogos eletrônicos, apenas poucas empresas possuíam capital para investir em equipamento pesado para a criação de jogos. Equipamentos capazes de rodar gráficos com detalhe, inserir sons, animações, comandos e que fosse capaz de juntar tudo isso em algo interativo era coisa rara. Então a saída foi utilizar da criatividade para desenvolver algo inovador sem usar destas ferramentas. Mas com o passar do tempo as tecnologias foram evoluindo e barateando, permitindo que, gradativamente, mais e mais pessoas e empresas pudessem ter acesso a estes equipamentos. Assim, pouco a pouco, a criação de jogos foi se tornando mais popular e hoje em dia temos à nossa disposição computadores com alto desempenho a um custo relativamente acessível; que permitem até a produção caseira de jogos.

Assim, temos uma nova situação no contexto contemporâneo. De um lado, temos a distribuição da produção de jogos entre as empresas grandes e do outro aqueles indivíduos que se interessam e tem um mínimo de tempo livre. A utilização da criatividade e da tecnologia agora pode ser feita de maneira conjunta, com um menor esforço, o que leva a situações curiosas como: grandes jogos podem sair, literalmente, de garagens e estúdios caseiros, enquanto outros de qualidade questionável surgem de grandes e respeitadas empresas. Isto trouxe também uma nova cultura, que separa os grandes jogos dos menores através de alguns critérios que merecem uma certa discussão. Utilizando-se destes critérios temos duas nomenclaturas muito utilizadas, com uma divisão que varia de cada pessoa, mas pouco conhecidas em seu significado.

Mas primeiro: Você é AAA ou Indie?

Muitos sites e críticos especialistas em jogos definem os títulos como sendo produções AAA ou Indie. O problema é que esta divisão é muito imprecisa e pode variar de cada pessoa. Então, para entender o problema, vamos entender primeiro o conceito de cada um - que também não possui uma definição exata.

Títulos AAA são produzidos por grandes estúdios que, por sua vez, são formados por uma grande equipe, possuem orçamentos altos e tem padrões de qualidade elevados em termos de produção. São títulos que também possuem uma grande campanha de marketing e vendidos "como água"; praticamente produzido pelos deuses. Alguns autores ainda utilizam da perfeição técnica do jogo para caracterizá-lo dentro deste grupo. Podemos citar como exemplos aqui os jogos da série Assassin´s Creed, Dishonored e The Elder Scrolls.

E títulos Indie, por sua vez, contam com algumas características opostas ao grupo anterior. Eles são produzidos por pequenas produtoras, de pouco ou nenhum renome no mercado, com orçamentos bem pequenos e muitas vezes apresentando qualidades bem inferiores aos grandes AAA em termos técnicos; como na parte gráfica por exemplo. Também, não contam com campanhas publicitárias de grande alcance (como comerciais de TV), possuem um número de vendas bem modesto e muitas vezes passam despercebido pela maioria dos jogadores. Exemplos importantes são o já citado Minecraft, Limbo, Fez, e o aterrorizante Amnésia.

Importante ressaltar aqui que o grande destaque destas características é o investimento envolvido na produção do jogo. Com grandes orçamentos vem grandes jogos AAA, e com baixos orçamentos vem os modestos jogos independentes. Mas essas características não são como fórmulas matemáticas que ao final terão o resultado esperado. Muitas vezes um jogo com um orçamento enorme torna-se um fracasso de críticas (Duke Nukem sente-se chateado por isso...) e o grande azarão sem orçamento e conhecimento torna-se algo extremamente conceituado e lucrativo para seus produtores tornando-se até franquias (pássaros que acertam porcos? Plantas que lutam contra zumbis? Até parece que isso daria certo....)

Separando o joio do trigo

Muitos críticos e até mesmo empresas analisam jogos com os critérios já citados para poder enquadrá-los em algum grupo. Consideremos, então, um jogo qualquer lançado recentemente. A empresa que lança este jogo já esta no mercado de games há muitos anos, vários outros jogos foram lançados anteriormente, mas ele não conta com um orçamento alto como outras empresas, não teve uma campanha de marketing amplamente divulgada e não tem em seu quadro de funcionários um grupo muito grande. Este jogo é um jogo AAA ou um jogo Indie?

As definições usadas para caracterizar este jogo são falhas. Pelo que foi analisado, poderíamos muito bem considerá-lo como Indie. Mas a empresa tem anos de mercado, possui um nome relativamente conhecido e confiável. O jogo não possui um motor gráfico ultra realista de última geração, mas ela se adéqua e inova o conceito para o qual foi proposto. Sua campanha de marketing não foi alta, mas o número de vendas bateu de frente com grandes títulos de grandes franquias. Seria mesmo necessário enquadrar este jogo dentro do padrão indie?

E se ocorrer o contrário? O primeiro jogo de uma pequena empresa é lançado com gráficos excelentes, possui uma grande campanha de marketing, foi uma revelação no meio dos jogos e sua aceitação foi imediata. O número de vendas do jogo superou grandes franquias e a história apresentava um personagem carismático e empático ao jogador. A jogabilidade reinventa a roda e grandes sites concedem as mais altas pontuações possíveis. Este jogo se enquadra no conceito AAA?

A beleza está nos olhos de quem vê

Há ainda os jogos que não se enquadram em nenhum dos dois grupos ou que mesclam características de ambos. Esta é uma questão muito pessoal de cada autor com relação a como classificar ou não um jogo, mas percebe-se que como qualquer divisão, sempre haverão aqueles que ficarão de fora do grupo.

A meu ver, esta divisão é um tanto confusa e imprecisa. Como mostrei nos parágrafos anteriores, não é possível classificar um jogo de maneira justa através do método utilizado pelo maioria, pois as chances de cometermos um equívoco é muito grande. Poderíamos facilmente dizer que um jogo da série Magic the Gathering é independente apenas por não apresentar um orçamento e uma publicidade muito grande,sendo que já está no mercado há anos, conta com um número pequeno de erros de programação, demonstrando uma qualidade técnica alcançada por poucos. Neste ponto da discussão, recomendo a leitura do artigo de nosso amigo Isaque sobre como as grandes franquias estão prejudicando a indústria de jogos, onde se apoiam em sua tecnologia e praticamente caem em um "mais do mesmo".

Deixo claro aqui que em nenhum momento os padrões que citei foram definidos e aceitos como únicos. Cada autor vale de seu senso crítico para enquadrar um jogo dentro destas categorias. E é exatamente este o problema que trago a você, leitor e amigo jogador, ao escrever este artigo. Até onde esta divisão está certa? Até onde há o jogo AAA e o Indie? Esta classificação se faz realmente necessária? Deixe sua opinião!

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