1527 20/1/2015

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Jogos digitais são cultura? Marta Suplicy acha que não

Desde Setembro do ano passado, o Brasil conta com Marta Suplicy na posição de liderança do Ministério da Cultura e, independentemente de ideologias partidárias ou pessoais, uma coisa é certa: nós, amantes de videogames, não estamos gostando do que ela está fazendo. Aí você me pergunta: “Mas por que?! Ela está pensando no povo, até conseguiu há pouco tempo que a Dilma Rousseff sancionasse o tal Vale-Cultura e agora poderemos pagar só 5 reais para ter 50 para gastar com produtos culturais!”. E eu respondo: É exatamente por isso!!!

O Vale-Cultura é mais um plano governamental que visa a garantia de benefícios financeiros para o cidadão através da ilusão de que este está ganhando dinheiro sem fazer nada. O trabalhador que ganhar até cinco salários mínimos ( atualmente R$ 3,390) que está ligado a uma empresa participante do programa abrirá mão de 5 reais do seu salário para ter em retorno um vale de 50 reais para ser gasto com “cinemas ou teatros e na aquisição de livros, CDs e DVDs.” (Ministério da Cultura). Quem arca com os outros R$ 45,00 é a empresa que, em contrapartida, tem 1% de dedução no imposto para o Governo. Parece bom não é? Mas cadê os videogames? Não são cultura? …em Audiência na Assembléia Legislativa de São Paulo há exatos um mês atrás, a ministra diz que não – “Eu não acho que jogos digitais sejam cultura.” – (mais informações na cobertura do site Geek2Geek).

Antes de entrar na questão dos videogames propriamente dita, quero me explicar sobre a palavra ‘ilusão’ que usei acima. Vamos deixar de lado por um momento que todo o dinheiro do governo em última instância parte do nosso próprio bolso e vamos pensar no por quê da realização de políticas públicas voltadas para mercados que já estão consolidados. Apoiando Raul Juste Lores (via Kotaku), entendo que esse programa tem como objetivo a manutenção da cultura de mercado e quem vai se beneficiar vão ser só grandes corporações que já tem de qualquer forma a preferência do público, como CD’s que estão tocando nas rádios, filmes de Hollywood e livros de auto-ajuda – sem mencionar as empresas que lideram a publicação dessas mídias.

Como Raul menciona, os 7 bilhões de reais que serão usados para cobrir o déficit de impostos advindos das empresas participantes poderiam estar sendo usados exatamente para a promoção de mídias experimentais, inovativas e, principalmente, para a manutenção de culturas tradicionais brasileiras. No Japão, as artes tradicionais são mantidas com muito investimento e não é atoa que no mundo inteiro há jogos que tem a Katana como arma. Não estou dizendo que vamos sair por aí fazendo jogos que tem como animal guerreiro uma Mula sem cabeça, mas acho que estão entendendo meu ponto (falar contra políticas públicas = Check).

Ufa! Agora que já expressei meus sentimentos com relação ao universo político desse programa, volto aos games. O ato de dizer que os jogos digitais não são cultura é como falar que carro não é um veículo: dependendo como você olha, ambos podem ser um brinquedo, ou podem ser uma arte ou mesmo até um recurso para a violência. A versão oficial do que é cultura é muito mais dependente do ponto de vista de quem está analisando, assim como a determinação do que é droga e o que não é (fazer propaganda contra cigarro = check).

A vantagem dos jogos digitais é que eles estão cada vez mais presentes e pode ter certeza que cada vez mais partes de nossa vida estarão aderindo dinâmicas de jogos para trazer maior aderência a produtos ou diversão a ambientes antes chatos. A Gamificação da nossa vida vem como reflexo da lógica do que é importante na geração atual e chegar a algum lugar na vida está cada vez mais ligado ao caminho divertido e significante do que ao final glorioso (fazer alusão aos desejos da Geração Y = Check ).

Os jogos digitais são cultura já que fazem parte da nossa vida diária. Seja no celular, facebook ou nos consoles, a realidade é que eles não estão presos mais a um esteriótipo juvenil ou presos a um ambiente de diversão isolada. Aprendemos línguas, história e matemática com os jogos, desenvolvemos habilidades intelectuais e raciocínio rápido e mesmo nós homens estamos conseguindo fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Eu não acho que a comunidade gamer deva se sentir mal por essa declaração da Marta Suplicy e como dizem por aí “xingar muito no Twitter”, mas sim ficar tranquilo e consciente do tamanho que temos; ser politizado para conquistar o direito de poder usufruir das mesmas políticas públicas para nossos próprios interesses culturais.

Fonte foto: Folha de Sao Paulo.

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