661 20/1/2015

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Jogos, filmes e livros: por que essa mistura não costuma dar certo?

Este fim de semana fui ao cinema assistir o filme "Círculo de Fogo" (ou "Pacific Rim" para aqueles não gostam das traduções) com meu irmãozinho e minha namorada. O filme tem a direção de Guillermo del Toro e não tem um enredo muito forte, mas é algo que consegue tocar no sentimento nostálgico dos mais velhos e agradar os mais novos. Várias pessoas estão indo assistir o filme, basicamente, por causa das brigas entre robôs e monstros gigantes, e eu não os culpo, afinal entrei na sala do cinema pelo mesmo motivo, até porque sou um homem que cresceu assistindo Gundam Wing, Mobile Police Patlabor, Power Rangers, Ultraman, Megas XLR e vários outros desenhos que envolvam monstros e/ou robôs gigantes.

Ao sair do cinema, após duas horas de filme, fiquei um bom tempo emocionado e falando sobre o filme com aqueles que assistiram comigo. Não teve como escapar da adrenalina que as brigas entre os robôs e os monstros (muito bem feitas, por sinal) proporciona, porém, após algumas horas, com a cabeça mais fria, é automático que se fique pensando sobre o filme, sua história, seus acontecimentos e, claro, o que pode vir em seguida. Imediatamente comecei a me perguntar sobre a possibilidade de um jogo baseado no Círculo de Fogo, mas parei para pensar alguns instantes e me foquei em lembrar das cenas das batalhas entre os Jaegers e os Kaijus: o diretor do filme procurou (diferentemente de Michael Bay em "Transformers") trazer realismo aos robôs e as batalhas, então é notável que os movimentos são muito lentos, até porque, em uma escala de tamanho os robôs criados por del Toro são maiores do que o Godzilla (o original ["Gojira" para os íntimos] não o do filme de 1998). Desta maneira, seguindo o realismo, os robôs não poderiam ser rápidos e deveriam se mover com uma certa lentidão. Por fim, as batalhas também trazem elementos de destruição na cidade muito bem trabalhados, um 3D maravilhoso e uma emoção e inteligência incríveis no trabalho do filme.

Agora partindo para o lado que interessa dentro do site, ao entrar na Xbox Live no domingo após ver o filme, me deparo com um jogo na Live Arcade com o título "Pacific Rim". Antes de comprar o jogo, resolvi baixar uma demo disponível para ver se era alguma surpresa ou mais um jogo que falha ao tentar se basear em um grande filme. Infelizmente o jogo baseado na obra cinematográfica "Círculo de Fogo" é mais um que entra na lista de gueimes que falharam ao tentar se basear em outra manifestação artística, e essa lista, se olhar bem, está extremamente grande.

O TRIÂNGULO ARTÍSTICO

Trabalhando com o assunto dentro do meio universitário, acabei criando uma espécie de triângulo que correlaciona três manifestações artísticas que, vira e mexe, possuem relações de vários estilos. No total existem seis ligações duplas (Jogos → Filmes / Jogos → Livros / Filmes → Jogos / Filmes → Livros / Livros → Filmes / Livros → Jogos) sem contar ainda algumas relações triplas que existem como, por exemplo, Livros → Filmes → Jogos (exemplos dessas relações podem ser os jogos dos filmes do Harry Potter e do Código Da Vinci). Cada uma das relações, em si, são diferentes umas das outras por vários motivos, seja por adaptação narrativa, de tempo ou até mesmo mudanças bruscas (Alice manda um beijo para todos os fãs dos jogos da saga "Resident Evil"). O fato é que uma obra não consegue partir de um ponto para o outro sem sofrer alguma espécie de mudança que, muitas vezes, pode ajudar ou prejudicar o percorrer da história.

As mudanças acontecem pois cada obra, seja ela literária, cinematográfica ou jogável, possui suas características peculiares que as fizeram chegar onde estão hoje em dia. Um filme, por exemplo, tem como seu maior trunfo os efeitos visuais que conseguem recriar tudo (desde monstros malignos até batalhas espaciais) com uma perfeição extremamente próxima da realidade, sem contar as belas atuações de grandes atores que conseguem realmente encarnar os personagens que representam. Já um livro possui o poder do detalhe das palavras, pois grandes autores conseguem criar lugares e personagens com uma grande perfeição que ainda conta, por cima de tudo, com a imaginação do leitor para conseguir "ver" tudo aquilo que ele está lendo. Por fim, mas não menos importante, os gueimes contam com a arma da interação, pois você vive a história em muitos jogos, toma decisões que podem afetar o rumo das coisas dali para frente e, em alguns, até mesmo criar a sua própria história (especialmente em RPGs).

O maior problema nas adaptações é que as mudanças realizadas acabam por afetar a verdadeira essência das obras originais o que acaba, por muitas vezes, prejudicando a relação dos fãs com as adaptações. Por exemplo: quando se vê as pessoas criticando os filmes da saga Resident Evil é sempre pelo fato da personagem Alice ter sido inserida na trama, deixando os já consagrados, Jill e Chris, em um segundo plano. Também já observei muitas reclamações de fãs de Harry Potter sobre o vestido da personagem Hermione no filme "Harry Potter e o Cálice de Fogo" ser rosa no filme, sendo que na obra original (o livro) o vestido é azul. Pode parecer uma coisa insignificante, mas é algo que acaba quebrando um pouco essa ligação da obra original com as adaptações.

O QUE FAZER?

Acredito que nunca haverá uma adaptação TOTALMENTE perfeita/fiel ao original. Isso é algo quase impossível. Contudo, há soluções que podem ser mais arriscadas do que as atuais: algumas empresas perceberam que alguns jogos/filmes/livros são mais do que uma saga ou coisa do gênero, mas sim uma marca. Pode-se citar, por exemplo: Batman, Harry Potter, Pokémon, Power Rangers, Homem Aranha e vários outros conseguiram transcender a simples obra (seja ela filme, jogo, livro, quadrinho, televisão ou qualquer outra coisa) para conseguir virar uma marca, pois além de tudo o que vendem, também acabam vendendo camisas, brinquedos, acessórios, adesivos, cadernos e tudo mais que pode-se encontrar para o consumo popular.

Com isso em mente, algumas empresas acabam, ao invés de criar adaptações, desenvolver novos produtos para as pessoas comprarem. Um grande exemplo que podemos citar é a série de jogos "Arkham" do Homem Morcego que, ao invés de fazer uma adaptação dos filmes de Christopher Nolan e Christian Bale, a Warner Brothers e a Rocksteady resolveram fazer uma nova história dentro do jogo que caminhasse com as próprias pernas, porém ainda aproveitando a excitação que os filmes Batman Begins e The Dark Knight faziam com a sociedade de consumo pop. O resultado de tudo foi que o jogo foi extremamente bem recebido e hoje é uma série própria que até já foi expandida para o mundo dos quadrinhos.

Contudo essa atitude é perigosa, pois nem tudo é extremamente famoso para que possa ser lançado um spin-off fora da zona de origem da obra. Podemos citar Assassin's Creed que é um jogo extramente famoso e com uma grande legião de fãs dentro dos videogames. Lançar um filme, que atinge uma quantidade muito ampla de público, contando uma história "na metade" para pessoas que, em sua maioria, desconhece o início da guerra entre assassinos e templários poderia afastar fãs em potencial e o que as empresas querem é trazer mais indivíduos para comprar coisas da saga para que, um dia, ela vire uma marca poderosa no mundo pop que vivemos.

NÃO JULGUE UM LIVRO PELO FILME

O ditado "não julgue um livro pela capa" foi adaptado neste século para o título da última secção deste artigo pelo simples fato de que muitas pessoas deixavam de ler um livro por causa de uma péssima adaptação cinematográfica que assistiu em algum lugar. O fato é que ele é mais do que válido para o que estamos conversando aqui, pois se trocar as palavras "livro" e "filme" de posição ou qualquer uma delas por "jogo", teremos o mesmo sentido que a frase quer passar ao leitor: que cada obra, por mais que possua o mesmo nome, é diferente uma da outra.

É um fato consumado que os gueimes hoje, como uma manifestação cultural/artística, estão lado a lado com o cinema e a literatura. Cada vez mais o número de jogadores se equivale ao número de leitores e de cinéfilos, contudo, por mais que as artes se misturem para tentar criar algo grandioso ou simplesmente expandir seu público, deve-se julgar cada um de uma maneira diferente, pois por mais que aquele filme seja baseado no jogo, em nenhum momento deve ser criticado como videogame, e sim como filme (até porque são caracterizados "adaptações" e não "cópias").

Por mais difícil que seja, é preciso sempre abrir a mente para novas coisas, mesmo que a adaptação não tenha nada a ver com a obra original vale a pena verificar uma nova versão com a visão de pessoas diferentes (com exceção do filme "Street Fighter". Ódio eterno ao filme do "Street Fighter"!). Algumas podem ficar ruins, outras boas, é uma questão de erros e acertos de toda uma equipe que tenta expandir e adicionar novos ícones a cultura pop. Porém caso você não goste de versões diferentes, adaptações ou coisas do gênero, ao menos sempre existirá a obra original dos jogos, filmes e livros para que possamos desfrutar de como tudo começou.

Até mais e bons jogos!

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