396 20/1/2015

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O Bullying Virtual "Huehue"

Bullying é um termo usado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder. É um termo cada vez mais utilizado, principalmente no âmbito escolar. Mas, em muitos casos, ele não se limita a este ambiente. Pode acontecer em casa, na família, no trabalho, entre colegas e/ou patrão; e também, no mundo dos jogos.

Resolvi escrever este artigo após vários relatos e experiência própria com a cultura conhecida como “huehue”, orgulhosamente ostentada por vários brasileiros. Antigamente era comum que jogos fossem lançados com campanhas voltadas apenas para um único jogador. Muitos jogos ainda hoje são lançados assim, mas de uns anos pra cá, a tendência de se adicionar um modo para vários jogadores vem atraindo cada vez mais o público. Quase todo jogo vem com este modo, ainda que em muitos casos o resultado possa não ser o melhor esperado. Uma das causas disso? Os jogadores vêm querendo cada vez mais interação com outros jogadores, possível graças á qualidade e velocidade da internet de uma maneira geral. Afinal de contas, quem sonharia jogar com 24 pessoas simultaneamente há umas duas gerações de consoles?

Mas esta interação é boa, correto? Você compra um jogo, conecta-se a internet, e encontra outros que também possuem um gosto como o seu, e todos se divertem juntos, aprendem juntos. Amizades surgem, as vezes relacionamentos mais sérios. Tudo muito legal. Mas, como tudo na vida, tem sempre aquele que sai de casa para atrapalhar. A pessoa que enche a cara para brigar, o motorista que vive com a mão na buzina e atrasado, o jogador que acha que é melhor que todos e resolve tocar o terror em quem estiver na frente. E, assim como nos outros casos, muitos jogadores também sofrem com as ações destes vândalos virtuais. E foi o que já aconteceu comigo.

O opressor e o oprimido

Um amigo me recomendou um tal de Team Fortress 2, um jogo gratuito multiplayer de tiro, um modo de Half-Life 2 mas com gráficos mais cartunescos. Pensei “to jogando nada... vamo nessa!”. Instalei o jogo, joguei o tutorial, e encarei o desafio online. Nos primeiros 3 segundos de jogo surge uma voz na comunicação do jogo, xingando o engenheiro (eu) porque não sabia jogar. Isto se repetiu por pelo menos 15 minutos, até que resolvi mudar de servidor. Hoje, quase um mês depois, ainda ouço estes comentários, carregados de vários palavrões, direcionados para quem não for bom o suficiente para o padrão do agressor.

Outros casos semelhantes envolvem a mendicância online. Jogadores que não fazem questão alguma de jogar, querem apenas que os outros jogadores doem itens. As ações possuem variações. O pedinte pode simplesmente ficar lá, pedindo o dia inteiro sem mover um músculo virtual. Outros optam por avacalhar o jogo dos outros, para que os incomodados deem logo o item e ganhem sossego em troca. Estes casos podem ser piores ainda se o jogo permitir friendly fire entre jogadores do mesmo time, pois o mendigo virtual simplesmente começa a atacar para conseguir o que quer! Outros, ainda, ameaçam denunciar o jogador por comportamento inapropriado para o site do jogo se não derem itens! É o pior do que perder o save em 99% de jogo completo...

isto por uma pessoa fora da nossa comunidade, pode parecer exagero estarmos levando um jogo tão a sério, mas não é bem assim. Temos os jogos como nossa diversão, mas é tão sério quanto uma partida de futebol para aqueles que gostam de esportes, ou o final de uma novela para os que acompanham. Da mesma forma que uma pessoa se sente frustrada quando seu time perde, também nos sentimos quando perdemos em uma partida virtual. Mas acima disso, o problema é quando somos levados a perder, não pelo desempenho de outro jogador, afinal de contas, todos temos dias em que não acertamos nem um pulo nas costas do yoshi, mas pelas ações premeditadas de pessoas que tem por finalidade estragar a alegria da outra pessoa.

Mas que falta de educação!

O problema que quero tratar aqui é simples: a falta de educação de alguns jogadores que prejudicam os outros. Isso mesmo, educação. Já lecionei por dois anos. Enxergar falhas na educação de uma pessoa acaba se tornando uma mania. E creio que você simplesmente gastar seu tempo baixando, instalando e configurando um jogo pelo prazer de estragar a diversão alheia mostra algo preocupante. O reflexo da vida real no mundo virtual. E um péssimo reflexo, diga-se de passagem.

Muitas pessoas transferem seus sentimentos para o jogo. O problema é como ocorre esta transmissão. Sou do tipo de jogador que toma as ações no jogo como seriam na vida real, ajudando as pessoas, arrebentando os vilões, e por ai vai. Conheço gente que é assim também, transfere seu eu físico para o seu eu virtual, e se diverte profundamente. Mas, como estamos falando de algo virtual, podemos extrapolar um pouco. Afinal de contas, quem nunca imaginou “aquela” pessoa como sendo um NPC de um jogo e descontou toda sua frustração nela? Metendo bala ou realizando fatalities, você já se vingou de várias ofensas assim, e tudo correu perfeitamente bem. O problema é quando escolhemos extrapolar mais ainda, e tratamos os outros jogadores com esta violência.

Os outros jogadores, ao contrário dos NPC's, possuem sentimentos. Eles ficam felizes quando ganham e tristes/bravos quando perdem. Se a raiva é direcionada para outra pessoa, o ato passa a ter conseqüências mais sérias. Ao fazer isso, a pessoa oprimida na vida real se torna o opressor virtual, tornando-se aquele que causou todo o problema inicialmente. O oprimido se torna o opressor, e o processo continua. O ciclo se repete, a roda se perpetua. E isso é um problema de educação.

Não se xinga uma pessoa aleatoriamente, não se bate em alguém na rua, não se faz de tudo para atrapalhar outro de alguma forma. Isso é uma maneira educada de agir. Tudo isso faz parte da educação da pessoa. Assim como os atos virtuais, que são o reflexo desta mesma educação. O problema é que por ser um mundo fictício, com personagens fictícios, muitas vezes os jogadores são confundidos como seres fictícios. E muitos criam uma coragem enorme devido a falta de presença física. Alguém que não falaria um “a” para outra pessoa na rua, temendo uma reação física violenta, sente-se seguro por trás de um computador, onde pode falar e fazer o que quiser, pois sabe que o personagem não vai simplesmente sair do computador e tirar satisfação. Esta situação segura vem tomando conta de cada vez mais pessoas, que entram no jogo para barbarizar, e atrapalhar a todos.

Dando nomes aos NPC's...

Faço aqui uma observação. Vários jogos tem por objetivo principal a violência e o comportamento politicamente incorreto. GTA está aí e não me deixa mentir. E tantos outros jogos no permitem uma gama enorme de ações a serem tomadas, optando pelo lado bom ou pelo lado negro da força. Muitos jogos possuem inclusive finais alternativos para cada tipo de história, para cada tipo de personagem encarado. E muitos jogadores repetem um jogo mais de uma vez, tomando as mais diversas decisões, questionáveis ou não dentro do jogo, para descobrir tudo o que foi criado. Não entrarei no mérito de uma discussão sobre a violência "imposta" ou possível pelos jogos. Questiono aqui a conduta do jogador com relação a outro jogador, que ultrapassa o propósito do jogo.

Uma pessoa entra em um servidor para jogar Counter Strike sabendo que ele é um jogo violento. O objetivo principal sempre acaba sendo a derrota do time inimigo, alcançada com a morte dos mesmos. Há sangue, tiros e explosões. Tudo isso dentro de sua proposta. Mas o jogo não propõe uma postura violenta contra a pessoa que esta jogando, e sim contra seu personagem virtual. O jogo propõe que você alcance seus objetivos de acordo com suas regras, que exigem respeito ao próximo. Atirar no próprio parceiro para atrapalhá-lo ou extorqui-lo virtualmente, xingá-lo para que ele perca, fazer chantagens com a pessoa para obter algo não é proposto por jogo algum.

Me diga em que servidor jogas e te direi quem “hués”

Jogadores estrangeiros evitam qualquer forma de interação conosco. Alguém com um “BR” no nome é motivo suficiente para mudar de jogo. Por muitas vezes, somos vistos com uma imagem ruim dentro da comunidade de jogadores. Essa imagem foi criada e é sustentada por um número cada vez maior. Muitos gostam de ser assim, de tirarem proveito dos outros, achar uma maneira diferente de alcançar um objetivo, de dar um “jeitinho brasileiro” no jogo.

Como sempre, quem sofre com isso são os jogadores responsáveis, conscientes do que realmente representa o jogo e a diversão, e que procuram agir da melhor forma possível. A sombra da irresponsabilidade virtual cai sobre todos, bons ou ruins. Estamos nos tornando sinônimos cada vez mais verídicos de como não se deve jogar. Mas a pior parte é que nem o comodismo pode ser o culpado disso: não há políticos para culpar, empresas, estrangeiros, a conexão da internet, o jogo. Os culpados da marca que carregamos somos nós mesmos.

É necessário mudar este quadro. É necessário mostrar a todos que, como em cada parte de nossa vida, há os sensatos e os inconsequentes. As boas e más companhias. Os jogadores que são bons por mérito próprio, e os que incapazes de conseguir algo e que jogam sujo para conseguirem o que querem. É necessário mostrar que somos sim, bons jogadores, que podemos ganhar sem recorrer a nenhuma trapaça ou tipo de agressão ao próximo.

Afinal de contas, podemos ser lembrados de duas formas. Primeira forma: podemos ser aqueles péssimos jogadores, crianças mimadas que batem o pé para conseguirem o que querem. Vândalos que assim como no mundo real necessitam roubar e quebrar regras para conseguirem o que querem. Jogadores tão ruins que não conseguem atingir um objetivo sem trapacear contra outros jogadores para vencer. Pessoas inescrupulosas que não medem esforços para chegar de A a B, os fins justificando os meios.

Ou a segunda forma: podemos ser aqueles que sabem jogar. Aquele que quando não consegue, tenta mais e mais intensamente até conseguir o que querem. Pessoas que seguem as regras, sabem respeitar e e não trapaceiam para chegar onde desejam. Pessoas que jogam limpo mostrando que são capazes de conseguir algo. Jogadores que, independente de alcançar ou não o objetivo do jogo, entendem que o objetivo é jogar. Que sua diversão não depende de prejudicar outro jogador.

Mas independente de qual tipo de jogador for escolhido, ainda seremos brasileiros. Ainda seremos do Brasil. Ainda carregaremos alguma bandeira. Mas a bandeira a ser vista será aquela que vamos construir.

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