737 20/1/2015

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Os jogos estão ficando assustadores demais?

Quarta-Feira, dia 30/04/2014. Estou aconchegado em minha poltrona fofinha com um pijama de algodão e um caneco de leite com nescau quentinho em minha frente. Tudo está bonito e confortável até que eu resolvo jogar Outlast. Ora essa, eu paguei pelo jogo, uma hora preciso tentar jogar, não é?

Foi uma péssima escolha para meu coração e bexiga. Olhe bem, eu sou um escritor de terror, eu estudo e levo isso como profissão, mas eu não conseguia progredir no jogo porque estava completamente aterrorizado! Um jogo é aproveitado em sua plenitude quando o jogador se coloca no papel do avatar que controla. Sempre foi assim, desde Sonic the Hedgehog até na pele de Isaac Clarke em Dead Space: A experiência é perfeita ao se quebrar o metajogo (isso é, esquecer-se que se trata de um jogo). A ambientação para jogar estava perfeita: um excelente headset 5.1 confortável e as luzes apagadas... mas qual foi o preço disso?

Os jogos estão em ascensão natural. As tecnologias se desenvolvem rapidamente e o mercado cresce. Os jogadores requerem mais e mais e os jogos sobem um degrau por dia na escada do desenvolvimento. O gênero terror se tornou quase extinto quando suas principais franquias pularam do barco (Oi, Capcom!) ou simplesmente tentaram se reinventar demais e perderam a relevância (Konami! Tudo bem contigo?) Isso impulsionou os desenvolvedores independentes a explorarem esse lado esquecido do mercado de games.

Dead Space é um bom exemplo dos motivos que mantém as grandes empresas longe do gênero. Os investidores grandões temem que um jogo assustador não vá vender bem, pois afinal de contas o jogador sentirá MEDO. Conclusão? Eles se tornam franquias de ação.

Agora os jogos independentes que aparecem por aí... Amnesia: the Dark Descent conseguiu (ainda que por acidente) trazer à tona aquilo que é considerado por um bom número de profissionais como a mecânica de horror definitiva. A sensação de incapacidade é a chave por trás dessa geração de horror. O jogo deixa de ser um desafio de “eu preciso achar um jeito de vencer esse oponente forte” para ser algo do tipo “eu me desafio a abrir aquela porta”. 

Entretanto, não adianta o jogo ser assustador a ponto de ser desprazeroso: não há lucro em se criar um jogo que ninguém joga. E juro que não é sensacionalismo, é um problema que as empresas estão enfrentando NESSE EXATO MOMENTO! Então, como a Konami investirá em Silent Hill e como Dead Space voltará às raízes se de um lado ainda há um público que compra Resident Evil 6 aos montes e do outro há toda essa polêmica em cima do gênero?

Para os desenvolvedores, é uma luta tentar balancear a experiência. Claro que de um lado, o desenvolvedor QUER que o jogador vá em frente e termine o jogo e aproveite a experiência em sua plenitude, mas do outro lado, sempre há a necessidade de desencorajar o jogador. O terror é isso: superar o medo de abrir aquela porta ou de entrar naquele corredor escuro, e infelizmente esse gênero é o que mais depende dos jogadores... e o que acontece quando os jogadores se desacostumaram com o medo? Eles têm dificuldade de encarar novamente esse sentimento. E não só isso, os desenvolvedores precisam também balancear os tabus, a cultura, a ética! O verdadeiro trabalho artístico tenta se afastar desses conceitos, mas como ignorar por completo esses temas se o jogo é um produto e precisa ser vendido?

Muitos sabem que uma garota chorou e desistiu de fazer o teste beta de Outlast e que uma situação semelhante aconteceu nos testes de Amnesia: A Machine for Pigs. O estresse psicológico foi demais, mesmo para uma pessoa que se diz “calejada” devido a tantos produtos de terror que consumiu anteriormente. As mídias estão se adaptando à nossa nova “crosta resistente” ao medo durante o entretenimento e estabelecendo um novo nível de terror. Alguns consumidores não estão conseguindo acompanhar o desenvolvimento e acabam borrando as roupas íntimas, mas devemos concluir que os jogos estão ficando assustadores demais para serem jogados?

Não. A mídia evolui e se adapta, e os consumidores também.

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