950 20/1/2015

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Violência no mundo digital vs mundo real

Nas últimas semanas, o governo Obama nos Estados Unidos vem se pronunciando a respeito da violência nos videogames e como esta pode impactar comportamentos de crianças, adolescentes e jovens adultos. Dentre reuniões com líderes de corporações ligadas aos games e presidente da associação de rifles dos Estados Unidos, aprovação de projetos para pesquisa na área de milhões de dólares e muitas notícias, o tópico está tomando uma dimensão que ao mesmo tempo preocupa produtores de jogos e alivia alguns pais.

A questão é que muitos jovens estão cometendo atos criminais sérios e estão tendo comportamentos que põe a vida, deles e de outras pessoas, em risco. Digo, desde já, que não acho que o problema está nos jogos, mas há alguns pontos que merecem ser observados em relação a como os jogos tem um papel importante na formação ideológica de pequenas pessoas.

Não acredito que vamos ver alguma mudança por agora advinda desse movimento, mas é bem capaz que o avanço tecnológico acompanhe um maior controle de público para restringir o direcionamento de mídias não adequadas a menores de idade. No final das contas, não é essa a questão principal, mas sim como cada família lida com isso e vai educar seus filhos.

Uma questão plausível é que há bastante tempo que jogos digitais não são mais feitos, completamente, para crianças, mas paradoxalmente, quando estou jogando sempre tem alguém para falar que já não sou mais criança para fazer isso. A média de idade dos jogadores já passou dos 30 anos e ainda há quem considere uma atividade voltada para crianças. O que isso implica? Bom, imagine um presente dado de um jogo como Call of Duty para uma criança de 12 anos. Certamente essa criança, nos dias de hoje, sabe muito bem como jogar, mas não tão certamente ela sabe que esta experiência é parte de uma fantasia divertida que simula uma realidade não tão divertida assim. Por mais inteligentes, ou arrogantes, que crianças estejam se tornando, há jogos que simplesmente não são feitos para elas.

Convenhamos que um mundo em que a faixa etária indicada para qualquer coisa seja respeitada, é um mundo fantasioso. Mas há alguns limites, ou algumas conversas que os pais deveriam ter com seus filhos sobre a representação da violência e até que ponto ela é considerada divertida. Existem inúmeras formas de violência, mas a interpretação dela como esporte, entretenimento, jogo, briga ou guerra pode não ser tão clara para jovens. A diferença entre matar uma pessoa em Hitman: Absolution e destruir um bloco de lego em LEGO: StarWars é bem clara e esta é a diferença que a indicação etária tenta explicar: há, simplesmente, alguns jogos que são feitos para públicos diferentes.

Outra questão pertinente é que jogos não são o único tipo de mídia que expõe crianças à violência e, devo concordar, que não é o principal. Acredito que quando estamos jogando, a morte significa uma fantasia que, independentemente do nível de realismo gráfico do jogo, não se compara com uma notícia midiatizada em que se passa um vídeo de alguém recebendo um tiro. Talvez um filme com uma cena parecida tenha um impacto similar ao game, pois em último caso são fantasias, mas muitas vezes são fantasias baseadas em realidade e o fato de o jogador estar ativamente participando do ‘crime’ no jogo, faz uma diferença considerável.

Assim como filmes violentos, jogos violentos possuem imagens perturbadoras, ideias de difícil compreensão ou aceitação e uma manipulação emocional que é voltada para pessoas que já têm um conhecimento de mundo e uma distinção entre o real e o virtual muito clara. Além disso, notícias policiais apresentadas na TV, são veiculadas em qualquer horário não havendo um aviso sequer de que possa conter material impróprio para menores, o que, há quem argumente, expõe já os jovens aos problemas do mundo e como fazer para se safar deles, mas, em minha pessoal opinião, traduz o mundo em um lugar em que os problemas são as principais fontes de atenção. Isto é, a mídia produz notícias que reduzem o mundo em poucas áreas e coloca a violência como principal foco já que é o que mais sobe com a audiência; é um ciclo vicioso com o qual a criança se acostuma desde cedo e vai, realmente, dar mais valor e acompanhar as notícias mais desastrosas para a humanidade.

…tudo bem, posso estar sendo um pouco duro com a mídia, mas mantenho minha opinião: há formas de exposição de informação e entretenimento que não deveriam ser consumidas por públicos com menos de uma certa idade. Digo uma certa idade pois também não sei se a divisão ’18 anos’ é tão correta e acho que essa idade limite é um misto entre a maturidade do adolescente (percebida pelos pais) com o nível de violência da mídia exposta (sendo que algumas, eu mesmo prefiro ignorar ainda hoje com meus 20 e alguns anos).

Bom. Após toda essa discussão, o meu ponto já deve estar mais claro. Sem ser extremamente ímpar no meu discurso, tenho visto que a violência, quando interpretada erroneamente, pode ser levada a gerar mais violência. Quando falo isso, quero dizer que pais, guardiões, irmão, professores, amigos ou qualquer pessoa que detenha legitimidade de discurso com uma criança deveria ter algumas conversas sobre violência e buscar expor formas de entretenimento mais focadas para aquela faixa etária. A proibição explícita que não é acompanhada de uma explicação plausível não significa muito para a geração de pequenos inteligentes que está chegando no mundo – só levaria a eles quererem mais -, mas sempre haverá meios para trazer a atenção deles para objetos de desejo mais interessantes.

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