366 20/1/2015

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Spielberg e Lucas dizem que jogos não são arte. Estariam eles certos, afinal de contas?

Recentemente, George Lucas e Steven Spielberg tiveram em uma palestra na USC School of Cinematic Arts para debater sobre o futuro da indústria do entretenimento.

“Outras mídias são inferiores ao filme” disse Spielberg para a plateia logo no começo. “Muitas pessoas não estão atentas ao fato de que existem outras mídias onde as imagens sequer se mexem. Droga, algumas mídias sequer possuem imagens!” Disse Spielberg, alfinetando fãs de pinturas e música enquanto Lucas concordava silenciosamente atrás.

Quando um membro da audiência perguntou aos cineastas o que achavam dos games como uma forma de arte, Spielberg disse exatamente o que pensa.

“O problema com os games é o controle. No momento em que você segura o controle, algo desperta no coração e aquilo vira um esporte. Estudos científicos sobre o coração humano comprovam isso.”

Spielberg também citou sua experiência como Designer Chefe por trás de Boom Blox para o Nintendo Wii. “Boom Blox era para ser uma estória comovente sobre um homem que sofre com a morte da esposa e deve se reconciliar com a ideia de amor. No entanto, uma vez em que o controle se envolveu, Boom Blox se tornou um jogo sobre explodir blocos que parecem com animais de gado. É por isso que jogos não podem ser arte.”

George Lucas até tentou argumentar que tecnologias como o Kinect, que te fazem usar o corpo ao invés de um controle, podem ajudar os jogos a se tornarem arte, mas quando perguntaram sobre jogos como The Walking Dead e The Last of Us, Spielberg manteve a atitude negativa.

“Não, eu não experimentei esses games, mas se eles usam um controle eles simplesmente não podem ser tão artísticos quanto Indiana Jones IV.”

Em primeiro lugar, antes de chutar a CPU, quebrar seu DVD do Jurassic Park e ir para o lado negro da Força, lembre-se que estamos falando de cineastas consagrados... e a coisa que nenhum cineasta deixa de lado é o ego. Lembre-se também que até o criador de Mario, Shigeru Miyamoto, disse que não considere jogos uma forma de arte.

É claro que eles sempre acreditarão com toda sua fé que sua mídia é a superior e que nada nesse mundo as superará, afinal é a mídia que eles escolheram trabalhar. Se não acreditassem nisso, estariam com uma banda de garagem, pintando quadros ou numa peça teatral. Claro que nada justifica as alfinetadas que foram dadas nas outras mídias, mas astros vivem de polêmicas e glamour. Por isso, sequer devem ser levados a sério quando falando mal de seja lá o que for.

Mas e os games? Simplesmente é impossível negar o que eles disseram sobre se tornar um esporte. Talvez nem todo jogo cause essa sensação tão aparentemente, mas a ideia de se superar desafios impostos através de treino e uma curva de aprendizado indubitavelmente nos remete aos esportes. E acreditar que esportes não são arte é uma linha de pensamento aceitável. Isso não quer dizer que não seja verdadeira.

Além disso, uma coisa que suja e sempre sujará a imagem passada pelo nosso mercado, assim como acaba dificultando a legitimação dos jogos como arte: um punhado de consumidores mal-educados que mancham a imagem de quem realmente importa na indústria. Pare e pense: qual a primeira reclamação sobre League of Legends? Qual o tipo de jogador que afasta tantos do multiplayer online de Call of Duty? Quem é que sai falando porcaria deliberada em fóruns?

Isso mesmo, sempre tem aquela meia dúzia de gatos pingados que vão estragar tudo, aqueles que vão xingar e ameaçar verbalmente todo mundo. Aqueles poucos que vão se esforçar ao máximo para estragar a experiência de entretenimento alheio. Esse é o tipo de gente que sequer para para pensar o que poderia ser um game. Para eles os jogos simplesmente “são”: não há uma camada de introspecção por trás da atividade e essa imagem do que seria um "gueimer" é passada para todas as outras mídias artísticas, nos fazendo parecer com animais sem capacidade de apreciação artística; crianças mimadas e mal-educadas que ficam de birra e ofendendo desconhecidos enquanto se escondem através do anonimato online.

No entanto há um outro lado que precisa ser defendido e explanado. Em primeiro lugar, games são arte sim, não há debate sobre isso. Criar um jogo envolve pessoas compondo música (arte), desenhando arte de conceito, modelando (arte, escultura) em 3D, escrevendo um enredo (arte), sem contar toda a ciência por trás de um jogo, com o cálculo de algoritmos, criação de equações lógicas por trás de sistemas de aleatoriedade e fazendo toda a física funcionar.

Em segundo lugar, mesmo que jogos sejam também um esporte, isso significa que esportes não são arte? O que difere uma apresentação de artes marciais de uma dança? Caso esportes não sejam arte, isso impede os jogos de serem tanto esporte quanto arte? O esporte por trás de superar desafios anula todo o trabalho e sangue que os artistas deram para criar um jogo?

Afinal, o que é arte? Essa é uma resposta pessoal e intransferível. Arte é tudo aquilo que te faz sentir que seja. Alguns vão querer colocar o conceito de arte num pacote fechado, outros dirão que tudo é arte. E essa é a grande verdade: não há uma grande verdade! Cinema pode não ser arte para algumas pessoas. Produtos comercializados podem não ser arte para outras pessoas. Cada um terá sua própria resposta e não serão dois velhos diretores que escolherão o que é arte e o que não é. Parte do que nos faz sentir emoção.

Steven Spielberg e George lucas cresceram em ambientes diferentes dos nosso e não tiveram os games como parte de sua cultura. Além disso, é claro que eles precisam se afirmar e afirmar o cinema frente aos demais tipos de mídias de entretenimento e arte. É o papel deles, generais que representam um exército artístico. O fato de games serem arte permanece independentemente do que eles digam, e nunca podemos esquecer que tudo que nos tira de nossa zona de conforto costuma ser recebido com forte atrito. Os games terão que lutar para conquistar o respeito dos artistas mais tradicionais e isso não acontecerá de uma hora para a outra. O processo de amadurecimento do mundo para aceitar nosso mercado dependerá não só da aprovação de artistas tradicionais, mas também da própria indústria e consumidores de games. Somos todos parte desse período de desenvolvimento.

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